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Uma conversa com Josh Klinghoffer

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Entrevista postada nos site Smoovtunes.com

Eu tive a chance de conversar por telefone com Josh Klinghoffer o novo integrante do Red Hot Chili Peppers, de 32 anos, que tirou o recorde de Stevie Wonder como o artista mais jovem a ser introduzido no Rock and Roll Hall of Fame. Ele docemente fala sobre a sua vida dupla como um guitarrista mundialmente famoso e como um rockeiro indie lutando por seu projeto de estimação, chamado Dot Hacker. Formada em 2008, durante seus dias em turnê, a banda lançou um EP em fevereiro e planeja lançar seu primeiro álbum de estréia Inhibition em vinil limitado, CD, e a versao digital na terça-feira 1 de Maio. Depois de falar longamente sobre seu crescimento como compositor, sua propensão para a música eletrônica, jazz e sua audição de sessões com Flea, Josh gentilmente me convidou para o show esgotado do Red Hot Chili Peppers no Prudential Center em Newark em 04 de maio às 20:00 , que irá terá um bis na segunda-feira, 7 de maio.

SMOOVTUNES: Josh, agradeço por separar um tempo para fazer esta entrevista. É para o meu próprio blog, Smoovtunes (com um V).
Josh: Oh, bem legal. Eu gosto desse nome (risos).

Eu tive a oportunidade de ouvir o álbum do Dot Hacker – a propósito, adorei ele. A banda foi montada em 2008, e terminou a gravação perto do seu aniversário de 30 anos. O álbum permaneceu intocado por dois anos?
Obrigado. Desde 03 de outubro de 2009, nada foi feito além da masterização. Nós tínhamos que masterizar profissionalmente o vinil com o lançamento em 01 de maio. Mas nada foi gravado ou mudado desde então.

Como músico, você deve achar muito tentador fazer análises. Foi difícil analisar a si mesmo?
Yeah. Foi difícil no sentido de que quando eu ouço agora, eu sinto que nós apenas fizemos um trabalho diferente do que fazer um álbum. Baseado em pessoas, estando na cidade ou não, certas decisões foram tomadas. Se eu pudesse escolher, estaríamos todos lá e tudo seria feito com mais concentração, e poderia soar desta maneira ou de outra. Mas por outro lado, eu acho que é um registro muito honesto, é uma grande representação de onde essas quatro pessoas na banda estavam no momento. E eu sou muito grato e agradecido por ele ter sido lançado, porque ele poderia ter facilmente evaporado-

No abismo das gravações arquivadas.
É isso mesmo, na nossa pasta no iTunes.

Os fãs vão te agradecer por não deixar isso acontecer. O álbum capta a experiência da banda. Você tem planos concretos para entrar em turnê com este material, e tocará músicas que não constam no álbum?
No momento não existem planos específicos, mas nós definitivamente iremos tocar este ano. Devido a minha agenda com o Red Hot Chili Peppers, eu fico um pouco limitado, nossa turnê é reservada até o final do ano. Mas temos duas semanas de pausa a cada duas semanas. Então, eu tenho certeza que o Dot Hacker terá uma semana de shows aqui e ali, eu espero. Todo mundo quer fazer isso. Temos toneladas de coisas novas que nós começamos e que sabemos como tocar. Vamos ficar alguns meses separados, por isso é difícil manter as coisas frescas quando você não consegue tocar o tempo todo.

Isso soa como um ato sério de malabarismo.

Sim, um pouco. Mas, felizmente, eu amo muito as duas coisas e eu começo a exercer diferentes aspectos de mim mes

mo, minha musicalidade e criatividade em ambas as bandas. Então é um pouco mais de um malabarismo porque são papéis diferentes nas bandas, mas sempre sou eu mesmo e não posso deixar de ser eu mesmo em ambas. A única coisa que torna um pouco estranho é o quanto de atenção um deles está recebendo em oposição a outra. Parece um pouco desequilibrado, mas isso está totalmente bom pra mim.

É um pouco como se dividir.
Há momentos em que eu fico chateado por uma delas simplesmente não poder tocar. Eu posso estar em casa por duas semanas e um cara estar em turnê com alguém e isso me deixa chateado. Mas não posso fazer nada en relação a isso.

Então você está viajando em um ônibus de turnê por uma semana, e na semana seguinte, você está dirigindo uma van?
Eu farei qualquer coisa. O Red Hot Chili Peppers viaja bem e é realmente incrível fazer parte disso, mas eu não tenho problemas em começar a dirigir uma van ou qualquer outra coisa para ir tocar. Estou tão agradecido por esse álbum ser lançado e que a banda pode estar na consciência das pessoas que nós poderiamos ir para uma cidade e tocar até mesmo para uma pequena quantidade de pessoas. Eu amo essa idéia. Esse sempre foi meu sonho de criança – sempre foi meu objetivo formar uma banda com meus amigos, cair na estrada, e apenas me divertir. Eu fiz isso com bandas de outras pessoas, e outros artistas, e eu comecei de baixo, e cada vez que fazia uma outra viagem, parecia que estavam ficando maiores no tamanho do local e com maior programação, e era como se minha banda ficasse mais popular, com cada álbum – só que a banda não era minha (risos).

Você estava procurando por uma casa como músico, e você encontrou duas.
Sim, eu sou o bebê na banda, com 32 anos no Dot Hacker, e eu sou o bebê da outra banda também (risos). Mas eu acho que ambas as bandas ainda querem muito ter uma existência ativa e criativa. O Red Hot Chili Peppers é o tipo de banda que você lança um álbum, e tem que ir tocar no mundo inteiro, o que é uma coisa maravilhosa. Eu não acho que vai demorar muito para outro álbum do Red Hot Chili Peppers. Acho que todo mundo quer continuar trabalhando e criando. E é a mesma coisa com a outra banda também.

Você mencionou em outra entrevista que estava concentrado em suas composições antes de entrar no Red Hot Chili Peppers. Uma vez que você entrou, tinha que se concentrar nisso de novo, porque a música é muito técnica e agressiva. Como foi a sua abordagem com a mudança de instrumento?
Sim, eu definitivamente abordei de forma diferente só porque o tempo mudou e eu ouvi um monte de músicas diferentes, e eu penso sobre as coisas de forma diferente. Desde a gravação ou composição com o Do Hacker, eu só tocava guitarra muito mais por estar no Red Hot Chili Peppers. Fazendo durante um ano inteiro composições e jamms, e conheci Flea e Chad como músicos. Apenas passando horas tocando guitarra, que é algo que eu realmente não fazia há muito tempo. Quando eu estava focando na escrita, eu tocava um pouco de guitarra, eu escrevia tocando guitarra. Mas eu estava fazendo um monte de composições com o piano, sintetizador e programador apenas começando sons e construindo canções daquela direção. Eu não estava focado em ser técnico na guitarra. Acho que nunca tive que me focar nisso até que entrei para o Red Hot Chili Peppers. Para mim, quando comecei a tocar com o Red Hot Chili Peppers, acho que foi o meu maior medo –  pois John tinha muito conhecimente técnico, e um guitarrista incrível e eu sou um tipo diferente de guitarrista e sempre fui. Eu amava tocar as músicas que ele escrevia, e eu só esperava que as pessoas não estivessem esperando alguém para entrar e fazer exatamente a mesma coisa.

Eu realmente amei o I’m With You. Fiquei surpreso ao ler numa entrevista que para você nunca foi fácil fazer solos. Você disse que prefere pisar em um pedal e criar paisagens sonoras.
Solos nunca vieram de forma fácil para mim. É porque eu nunca quis fazer isso (risos). Quando eu comecei a tocar guitarra, eu estava apenas tentando descobrir a forma como a canção soava, a sonoridade dos acordes, e ouvindo bandas como The Smiths – que toca guitarra de forma mais arquitetônica, e não como uma forma principal de guitarra. Eu realmente nunca tive interesse em aprender a fazer solos, e quando pensei em solar, eu pensei – eu sempre amei pessoas como Slash (risos) e Jimmy Page pessoas que podem realmente solar – mas eu sempre achei que isso não teria lugar na música que eu estava interessado em tocar. Mesmo John Frusciante solando – eu o amo, acho ele ótimo, mas quando eu escrevo uma canção, eu nunca vou dizer: “Ok, bem, bem depois do refrão, há um solo de guitarra.” Essa apenas não é a maneira que eu penso ao escrever canções.

Eu não posso imaginar John Frusciante compondo de uma outra maneira.
Não, eu não penso assim até certo ponto, mas acho que há definitivamente músicas no catálogo do Red Hot Chili Peppers, que têm seções solo de guitarra. E eu sei que ele gosta de solos. Isso é totalmente diferente para mim – eu não quero ouvir um solo de guitarra. Realmente, eu prefiro experimentar uma voz e reproduzi-lo em um Casio SK-1. Isso soa mais interessante para mim – não ouço isso tanto quanto ouço solos de guitarra.

Anthony, Chad e Flea sempre o incentivam a solar e designam certas seções de músicas para que você toque guitarra?
Um pouco. Houve momentos em que Flea era como, “Vá em frente! Vá em frente! “Há um pouco de todos nós que só quer agitar com nossos instrumentos, e como é legal tocar com eles. Hoje à noite, quando tocamos ao vivo, eu faço solos e haverá momentos para me expressar dessa forma. Eu me divirto, eu só vejo isso como algo que eu nunca cresci fazendo ou me focando. Eu sou um pouco tímido nisso. É apenas uma idéia errônea de que todos devem ser como Eddie Van Halen, em vez de Kurt Cobain, ou algo assim (risos).

Mais especificamente, alguns músicos estão à espreita para a música nova, enquanto outros tendem a absorver por osmose. Onde você acha que se encaixa?
Eu acho que sou o tipo de pessoa que está sempre procurando novas músicas e novos sons para inspirar-se, mas tenho notado, e não é algo que tenho orgulho de dizer, no último ano ou assim eu tinha tanta música que estive ouvindo as mesmas coisas, então eu não me espalhei muito. E eu não ouvi um artista em particular, mas a uma série de compilações africanas e ouvi a maneira como eles tocam guitarra e o solo deles – estão quase solando a música inteira, em certos casos. Acabei de ouvir as gravações e para a maneira que eu imaginava a banda em uma sala, ao invés de ir para as lojas de discos à procura de toneladas de diferentes artistas novos. Especialmente quando estávamos a fazer o álbum do Chili Peppers, eu estava sempre à procura de novos sons para inspirar-me quando ia para a gravação. Tenho reais desejos aguçados para o som de coisas assim. E eu não sei se você quer citar-me sobre isso ou não, mas a forma como o álbum do Chili Peppers  soa não é tão louco ou orgânico como eu gostaria que fosse, então eu estava sempre tentando colocar novas sugestões a esse respeito.

Eu notei também escuto primeiro os sons e depois estudo as letras, me forçando a fazer mais

associações com a música do que apreciar isso em outro nível
Sim, isso é exatamente como eu também sou. Eu costumava escrever letras de má vontade. Porque era como um incômodo para mim – eu tenho essa canção incrível que eu não consigo tirar da minha cabeça. Ninguém conhece porque eu não terminei, mas estou em turnê ouvindo a minha gravação demo dela e não há algo mais chato para mim do que ter que sentar e chegar a emocionais apresentações verbais (risos). Mas eu sou a primeira pessoa a apontar uma letra de Leonard Cohen ou ouvir a letra de alguém e entender por que é tão importante. Trabalhar nunca foi algo que eu tenha feito quando ia compor ou fazer a música – apenas do tipo que acontece ou vem comigo, e eu a tinha para mim. E eu estava sempre em turnê com outras pessoas, por isso nunca foi algo que eu tinha que trabalhar. Isso é como o Dot Hacker tem sido para mim. É um exercício de canções realmente em acabamento, apresentando-as. Quando eu era mais jovem e queria fazer demos, sempre fui acusado de usar muitos efeitos sobre a minha voz, ou esconder as letras. E foi simplesmente por não ter a coragem o suficiente para ser assim: “Esta é minha canção, é isso que eu estou dizendo!” Eu sinto que, ainda com o Dot Hacker, às vezes acontecesse um pouco disso. Eu sinto que as letras são mais confortáveis pra mm agora. Eu posso ficar atrás delas, formulá-las com mais confiança. E vai ser legal, quando nós irmos mais longe, vai ser diferente.

Sobre as letras, e deixe-me saber se ainda estamos no tempo, a propósito.
Eu acho que esta é a última entrevista que eu estou fazendo hoje, por tanto podemos levar quanto tempo você quiser (risos).

Em uma entrevista do Chili Peppers, vocês citou um artista favorito de hip-hop: J Dilla. Você pode pensar em qualquer hip hop que você ouviu recentemente e que mudou a sua perspectiva sobre a forma como você faz as frases e une letras?
Eu não posso dizer que tenho escutado qualquer hip-hop novo recentemente. Eu tenho escutado um monte de coisas de Lil Wayne, e eu gosto da maneira como ele monta as frases (risos).

Não precisa ser necessariamente algo novo no hip-hop – J Dilla não é novo, mas você citou como um dos seus favoritos na entrevista com os Chili Peppers.

Eu ouvi J Dilla por um tempo. Eu acho que Flea começou a gostar nesta turnê hardcore. Ele gostou na época em que o documentário foi lançado um pouco recentemente. Eu acho que definitivamente para mim – as frases e a composição – eu gostaria de ser meio hip-hop. Eu amo esse jeito – e as letras – eu amo aproximar as letras disso. Eu acho que é como uma maneira diferente de se expor liricamente.

Então talvez eu tenha o título da minha matéria. “Josh Klinghoffer planeja ser MC no próximo álbum do Dot Hacker”.
Sim, com certeza (risos). Há algo tão engraçado para mim, eu farei um rap no carro quando ninguém esiver por perto, mas há algo sobre fazer com a música que fazemos. Eu adoraria que a próxima coisa que fizermos não soasse como uma banda de rock mas com o som de um disco de hip hop.

Tradução: Josh Klinghoffer Fansite
Fonte

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