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Onstage.com: Entrevista com Flea e Josh Klinghoffer

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(06/12/2011)

Após uma longa pausa de mais de cinco anos e a segunda saída de John Frusciante – substituído pelo jovem Josh Klinghoffer – os Red Hot Chili Peppers estão de volta com um novo capitulo e um álbum, I’m With You. Flea e Josh compartilham seus pensamentos durante uma coletiva de imprensa em Milão.

Flea, com uma camiseta do Theolonious Monster, e o jovem guitarrista, Josh Klinghoffer são os dois escolhidos  para satisfazer a curiosidade de muitos jornalistas reunidos para celebrar uma banda com uma carreira invejável, ainda capaz dede colocar algum som mais original , apesar do passar dos anos, e da libertinagem (hoje abandonada, ao que parece) e da inevitável perda de brilho. O baixista do Red Hot Chili Peppers em alguns minutos mostra sinais de envelhecimento – ele também está se recuperando de uma dor nas costas persistente devido a qual teve que ser imobilizado por alguns dias – mas com o cabelo tingido de um violeta suave, seu sorriso relaxado mantém viva a ilusão de se estar na frente de uma das cenas mais genuinamente selvagem do rock alternativo norte-americano. Josh Klinghoffer parece à vontade na frente de um auditório lotado e, inevitavelmente, ele é o primeiro a ser questionado. Não poderia ser diferente, já que ele teve a difícil tarefa de substituir o muito amado e talentoso craque das seis cordas John Frusciante, em sua segunda – e, aparentemente, final – saída do grupo.

“Obviamente é uma grande honra estar no lugar de um músico tão bom, mas a minha entrada no Red Hot Chili Peppers foi bastante indolor. Eu já conhecia todos eles, eu trabalhei com John no passado e estar com Flea, Anthony Kiedis e Chad Smith na sala de ensaios parecia quase natural. Eu era um fã, já toquei muitas das suas obras, havia uma harmonia natural e imediata.” Flea acrescenta seus pensamentos, “No primeiro dia tivemos que ensaiar com Josh recebemos a notícia da morte de nosso querido amigo, Brendan Mullen. Em sua homenagem, lançamos um jam improvisado que se tornou a música Brandan’s Death Song, uma das faixas do I’m With You. Podemos dizer sem medo de contradição que o I’m With You nasceu nesse dia, com a chegada do Josh e a primeira música composta. A magia entre nós foi imediatamente alcançada, não havia necessidade de dizer mais, conseguimos o guitarrista adequado para nós, o que era necessário para RHCP para começar a tocar com convicção. Parte do crédito para este álbum é apenas o entusiasmo contagiante do Josh, além do seu talento.”

Cidade dos Anjos
Brendan Mullen, para aqueles não familiarizados com a história da cena punk de Los Angeles, era o proprietário (e único contratante) do Masque, um local lendário da música na cidade onde nasceu a cena, começou por gente como X, Germs , Dickies, Weirdos e outras incontáveis bandas. No final dos anos setenta e início dos anos oitenta Flea e Anthony Kiedis eram dois rapazes em busca de fortes emoções, apaixonados por punk rock, drogas e a vida selvagem de LA.

Brendan Mullen era originalmente da Escócia, mas se mudou para a Califórnia. Infelizmente ele teve que fechar a Masque após problemas burocráticos e legais, mas sua paixão pela música estava intacta. Ele próprio foi um dos primeiros a acreditar no potencial dos imaturos Red Hot Chili Peppers, os empurrando em todos os sentidos e usando seu conhecimento para fazê-los tocar em muitos clubes locais. É bastante interessante que uma banda de sucesso mundial demore mais para reafirmar a sua profunda ligação com a atitude punk e um passado que dentro de sua música, cada vez há menos espaço, substituído por um rock clássico da maneira usual e muito funk. Cabe a Flea – baixista, esclarecer tal conceito quando eu lhe pergunto como é possível conciliar esse tipo de fundo com grandes shows,  turnês mundiais, hotéis cinco estrelas e milhões de dólares ganhos em sua carreira.

“Eu gosto de dinheiro como qualquer um, mas não é o principal objetivo para prosseguir. Nós nascemos e crescemos nesse tipo de cena, imersos e rodeados por certas bandas e pessoas que nos influenciaram e moldaram. O fato do Red Hot Chili Peppers ser um grupo de grande sucesso não muda a nossa abordagem à música, ou o que gostamos em um nível pessoal. Posso ouvir Bad Brains como o indicado na sua camiseta e, da mesma forma, John Coltrane, não tenho preconceitos sobre o assunto. Punk para mim é pensar por si próprio, fazer o que quiser sem que ninguém interfira, fazer o que você ama. Eu sempre fiz isso, eu segui as minhas regras e tenho tido sucesso sem ter que fazer uma porcaria de música. De alguma forma sou o mesmo rapaz de dezoito anos que andava pelas ruas de Los Angeles em busca de drogas e a emoção do rock and roll. Por esta razão, eu me sinto totalmente em paz comigo mesmo.”

É desnecessário dizer que, após o lançamento de I’m With You começou a muito aguardada turnê mundial com datas nos quatro cantos do mundo e ingressos esgotados com antecedência, um sinal de um amor que nunca falha para cercar o quarteto.

“É verdade, temos fãs incríveis e eu estou orgulhoso de ser capaz de usar minha posição como membro da banda para expressar o que sinto no mais genuíno. Quem vem ver-nos tocar sabe que somos exatamente desse jeito, quatro músicos que se identificam em sua música, é uma questão espiritual, se eu tenho que dizer a verdade. Nós preparamos uma hora e meia de show com dezoito/vinte músicas mais ou menos, estamos nos divertindo como crianças.”

Longos cinco anos
Você pode facilmente entender a emoção de Flea e seus companheiros mo lado físico da sua profissão – para não mencionar que seus shows ao vivo sempre foram um momento vital e catártico para o grupo – especialmente desde que durante cinco anos tiveram realmente muito descanso para aqueles que estão habituados a ritmos apertados e hiperatividade.

“Cinco anos é muito tempo, é verdade, mas precisávamos de um longo período de descompressão depois da turnê anterior. Para dizer a verdade, quando saímos de férias, eu não tinha certeza do que iria acontecer, só que eu sabia que naquele momento eu não queria ouvir sobre o Red Hot Chili Peppers de nenhuma maneira. Eu estava descarregado, eu precisava de estímulos, para que tudo estivesse bem e todo mundo respondesse à sua maneira. John, depois de longa deliberação, decidiu continuar por conta própria, sem nós, fez uma escolha corajosa, mas eu acho que não seria possível de outra maneira. Nossos caminhos estavam se separando. Chad ticou com Chickenfoot, por exemplo, mas eu tvim com um piano, quando eu voltei para tocar. Foi esclarecedor, também serviu como um exercício de disciplina e usei tudo quando fomos compor o novo álbum. Então, de volta à pergunta original, cinco anos se passaram, agora que penso nisso, e você também deve adicionar a entrada do Josh como novo guitarrista e claro, a gravação. “

Apenas falando sobre a preparação de Klinghoffer para a turnê de seu ponto de vista, o último a chegar e que está sendo confrontado com algo clássico e desafiador como o RHCP . Uma tarefa que abalaria os pulsos também dos experientes músicos com ele.

“É estranho fazer parte de uma formação da qual eu sou fã de há muitos anos. Lembro-me claramente quando eu comprei o One Hot Minute, e o quanto eu gostei desse álbum. Pena que John Frusciante nunca quis nada que tivesse a ver com o material escrito com Dave Navarro, mas eu entendo. Mesmo agora, as músicas não se encaixam ao vivo, há outras muito mais importantes para dar ao público, ainda que eu adore a idéia de poder tocar algumas. Quem sabe, talvez, no futuro se  faça uma exceção à regra e tocaremos algumas, eu acho que os fãs iriam gostar. “

Música Divina
A arte da capa de I’m With You foi confiada a um dos maiores artistas contemporâneos britânicos, Damien Hirst, conhecido por seus tubarões em formol, seu crânio totalmente coberto com diamantes e suas obras irreverentes e provocadoras.

“Damien é um grande amigo da banda e parecia natural  pedir-lhe para fazer nossa capa. Não demos qualquer indicação sobre isso, apenas o título, mas eu não acho que precisava disso. Ele é um dos artistas mais talentosos e famosos do mundo e certamente não precisa de nossa sugestão. Pedimos a Damien, nós amamos, porque é uma grande arte e, como muitas vezes, tendemos a esquecer que a arte é usada principalmente para fazer perguntas e obter respostas.” Se, por acaso, você gostaria de saber também que tipo de pílula seria Flea e Josh (na capa está uma mosca que pousa em uma pílula), o baixista não hesita quando explode com “ácido” na hilaridade, enquanto ignora o guitarrista com um sorriso tímido sobre o assunto. Sua timidez era palpável e até mesmo a certeza de estar em um redemoinho que o levou a se tornar um músico famoso é capaz de diminuir suas defesas naturais.

“Eu não acho que o fato de ser um guitarrista famoso em uma banda de rock pode mudar o jeito que eu sou e o que eu faço. Estou ciente da reputação que o Red Hot Chili Peppers tem, mas eu não me assusto facilmente. Então talvez eu vou acabar por destruir quartos de hotel, ficar com jovens, garotas, tomar todos os tipos de drogas e quebrar guitarras no palco (risos). “

A coletiva de imprensa volta ao normal quando Flea começa a falar sobre o grande poder de cura da música. De suas palavras saem declarações mais calmas: “Eu sou um hippie! Eu realmente acredito que a música vem de um lugar divino e o melhor que posso fazer é tentar chegar a esse lugar e deixá-la fluir através de mim. Minha vida inteira gira em torno deste lugar mágico embora eu não seja religioso.” A coletiva acaba e perguntam a Flea se o pequeno círculo tatuado em sua mão é um tributo ao famoso “Germs burn”, o símbolo dos fãs da banda punk de Los Angeles. Ele parece surpreso e sorri, dizendo que o próximo será a bandeira do logotipo Black Flag, outro hardcore clássico. Eu mostrei a minha para ele e tudo o que eu disse é o prazer de colocar uma frase de uma de suas músicas, TV Party. “Eu escrevi o texto de Rise Above e vou fazer uma tatuagem de Lars Frederiksen, guitarrista do Rancid, basta eu voltar para casa em Los Angeles. Se nos vermos uma próxima vez eu vou lhe mostrar.” Até mais, Flea … Até mais, Flea …

Tradução: Josh Klinghoffer Fansite
Fonte

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