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O Renascimento do Red Hot Chili Peppers (2011)

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Edição 59 – Agosto de 2011
O Renascimento do Red Hot Chili Peppers
Com novos guitarrista e disco, banda volta à ação antes de vir ao Brasil para o Rock in Ri0

Josh Klinghoffer, o novo guitarrista do Red Hot Chili Peppers, lembra-se exatamente qual foi o dia em que começou a compor com a banda: 12 de outubro de 2009. Seu predecessor, John Frusciante, já havia abandonado o posto, embora só fosse anunciar a decisão oficialmente em dezembro. Klinghoffer já tinha trabalhado com o Chili Peppers como músico de apoio, na última turnê. Mas naquele dia, em Los Angeles, ele estava tocando com o vocalista Anthony Kiedis, o baixista Flea e o baterista Chad Smith pela primeira vez como possível integrante oficial.

Klinghoffer, Flea e Smith estavam só “improvisando de bobeira”, lembra o guitarrista, “quando Anthony entrou e disse: ‘Perdemos um bom homem hoje.'” Brendan Mullen, que dirigia a histórica casa noturna punk The Masque (e era amigo próximo do grupo), tinha morrido de infarto. “Foi um modo estranho de se começar”, diz Klinghoffer, 31 anos. “Um início e um fim. De algum modo aquela música saiu disso.” Ele se refere a “Brendan’s Death Song”, um réquiem dinâmico para Mullen – parte luto acústico, parte despedida hard rock – que está no novo trabalho da banda, I’m with You. “Anthony começou a cantar, e nós improvisamos”, explica Flea, ainda maravilhado. “Foi a primeira música do álbum.” O quarteto compôs boa parte de outra faixa naquele mesmo dia, uma coisa funkeada, sombria e puxada por um riff, que virou “Annie Wants a Baby” – música que também entrou no CD, produzido por Rick Rubin e que sai no dia 30 de agosto.

“Deus abençoe a transformação”, diz Kiedis, sentado na sala de estar de casa, em Malibu, na Califórnia. “Historicamente, é sempre algo imposto à gente. Todas as vezes em que as coisas parecem estar rolando tranquilamente, algo catastrófico acontece.” O vocalista vira e sorri para Klinghoffer, que está ao lado dele no sofá. “Agora sei que quando acontece algo assim”, diz o cantor, “algo lindo vai sair disso”.

“Estamos sempre procurando crescer musicalmente, mas é também como se o universo conspirasse para que fosse assim”, afirma Flea, bem-humorado, na casa dele, também em Malibu, situada em uma parte alta e com vista para o Oceano Pacífico, próxima à de Kiedis. “Josh não é um guitarrista virtuoso como John. É um cara de texturas que também toca bateria e piano. Mas não teríamos como encontrar alguém melhor que ele no planeta. E ele já estava tocando com a gente.” O Chili Peppers tem uma história de 28 anos tumultuados: tensões internas; problemas com drogas, incluindo a overdose fatal do guitarrista Hillel Slovak, em 1988; e uma extraordinária sequência de troca de guitarristas. A banda também amadureceu de uma fusão crua de punk e hip-hop para um hard pop rítmico que já vendeu mais de 60 milhões de álbuns no mundo todo. I’m with You está cheio do funk rock, que se tornou marca registrada da banda; uma das faixas, “Monarchy of the Roses”, tinha o título provisório de “Disco Sabbath” – e é fácil notar o motivo.

Mas o álbum marca uma mudança do que Flea descreve como “uma banda tipo Led Zeppelin, com riffs grandes e partes definidas”, para algo mais próximo do Rolling Stones clássico: uma ênfase em “músicas, clima e sentimento”. “Even You Brutus?” é uma balada pesada, alimentada pelo tilintar sombrio de um piano e que chega ao auge com um refrão que faria o Aerosmith dos anos 70 morrer de inveja. I’m with You também conta com os vocais mais fortes e melodicamente focados já gravados por Kiedis. Rubin, que produz os álbuns do Chili Peppers há duas décadas, diz que “enquanto estávamos cuidando dos vocais, ouvi uma música de Californication [1999] no rádio. Fiquei chocado ao perceber o quanto Anthony está melhor. Quando a banda começou, ele ainda tinha muito que evoluir. Ele não cantava nos primeiros quatro álbuns – tudo o que ele fazia era rap”. “Esta é uma nova banda”, afirma Smith, sentado no chão da casa de Flea. “Temos o mesmo nome, mas é uma nova banda.”

Foi um renascimento difícil. Em 2007, depois de uma longa turnê mundial promovendo Stadium Arcadium (2006), Kiedis, Smith, Flea e Frusciante fizeram uma pausa. Flea, cujo nome verdadeiro é Michael Balzary, insistiu que o intervalo fosse de dois anos. E não tinha certeza se continuaria na banda. “Era algo que estava na minha cabeça”, ele confessa. “Só sabia que precisava cair fora.” Ele tocou com Patti Smith e excursionou com Thom Yorke, do Radiohead. Flea também se matriculou na University of Southern California para cursar teoria e composição musical. “Isso tornou mais fácil compor”, diz Flea. “Compus um monte de coisas no piano. Eu nunca tinha feito isso antes.”

Smith passou seu tempo de folga com os dois filhos mais novos, além de tocar com o Chickenfoot. Kiedis passou por uma separação e cuidou da filha mais nova, Everly, agora com 3 anos. Em certo ponto, o vocalista chegou a ser hospitalizado depois que a vesícula biliar dele explodiu “como uma granada”, como ele mesmo explica (Kiedis passou pelo período de recuperação surfando). Frusciante saiu da banda antes do fim da pausa, mas os outro membros não tentaram dissuadi-lo da ideia. “Ele não estava muito feliz”, diz Kiedis. “E parecia óbvio que Josh era o cara certo para o serviço.”

Nascido em Los Angeles, Klinghoffer largou a escola aos 15 para focar na música. Na década passada, como músico contratado, trabalhou com Beck e PJ Harvey, além de liderar seus próprios projetos. Mesmo antes de sair em turnê com o Chili Peppers, participou de alguns discos solo de Frusciante. “Ele não é John”, diz Rubin, “mas Joseph fala a língua de John melhor do que qualquer um, simplesmente por ter tocado por tantos anos com ele”.

“Sem dúvida é um novo início”, diz Kiedis sobre I’m with You. “Sei quando estamos compondo coisas medíocres e quando escrevemos coisas boas. E mal posso esperar para tocar as novas. Só ensaiamos ao vivo por duas semanas. No primeiro dia, fiquei feliz porque não tínhamos nenhum show marcado naquela noite – não estava rolando. Mas quando chegamos ao décimo dia foi tipo: ‘Se tivéssemos um show hoje, conseguiríamos encarar’.”

Créditos: rollingstone.com.br

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