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Gearphoria entrevista Josh Klinghoffer

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Não é incomum um aspirante a guitarrista aprender a tocar através dos hits do momento. O que é incomum é este jovem ver a si mesmo tocando essas mesmas músicas décadas mais tarde, na frente de dezenas de milhares de pessoas a cada noite, como um integrante da banda que ele idolatrava quando era adolescente.

É nesta situação que Josh Klinghoffer se encontra como o mais recente guitarrista dos Red Hot Chili Peppers. Poderia ser um conto de fadas do rock-and-roll… se não fosse verdade. Depois de desenvolver uma forte amizade com John Frusciante na época em que o álbum Californication foi lançado, Klinghoffer aprimorou suas habilidades na guitarra e começou a tocar em turnês com artistas como Beck e PJ Harvey. Eventualmente, os Chili Peppers pediram a Klinghoffer para ir a uma turnê com eles. Não muito tempo depois, Frusciante e a banda seguiram caminhos diferentes e Klinghoffer se juntou aos Chili Peppers como integrante fixo. Ele contribuiu de forma significativa para lançamento de 2011 da banda, I’m With You, e aos 32 anos tornou-se o mais jovem no Rock and Roll Hall of Fame, quando a banda foi homenageada no início deste ano.

Modesto e pensativo, Klinghoffer parece mais animado em tocar com alguns dos maiores músicos de sua geração do que sobre o seu estrelato repentino. Mas ele está aguardando ansiosamente a próxima pausa da banda para se concentrar no Dot Hacker, um projeto mais experimental que ele lidera, com vasto conhecimento sobre instrumentos e vocais de tenor que ecoam Robert Plant. GEARPHORIA conversou com Klinghoffer na casa dele em Los Angeles, onde estava se recuperando de um pé quebrado cercado por guitarras clássicas, sintetizadores, teclados e uma montanha de pedais.

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GEARPHORIA: Como você está se sentindo? Você está em uma pequena pausa de uma turnê muito esgotante, a gente supõe.
JOSH: Sim, tem sido… um pouco mais de um ano? Mas eu quebrei meu pé recentemente. Anthony (Kiedis) havia quebrado o pé no início do ano. Mas sim, eu estou em uma pequena pausa. Temos mais duas semanas no fim de Novembro e então estamos de folga o resto do ano. Em seguida, vamos para Austrália, Nova Zelândia e África do Sul por pouco menos de um mês, depois vamos para o México em março e é isso.

GEARPHORIA: Seu pé está um pouco machucado, né?
JOSH: Sim está, mas está quase voltando ao normal.

GEARPHORIA: Como você o quebrou exatamente?
JOSH: Foi um momento muito ruim. O engenheiro de monitores que estava com a gente desde o início da turnê decidiu que era hora de se afastar. Ele saiu quando fizemos o show no Staples (Center), que marcou praticamente um ano desde o nosso primeiro show em Hong Kong, e eu pensei que em um ano você deve estar acostumado com as suas coisas e não tocar em um show na sua cidade natal, na frente de todos os amigos dos seus pais, com um novo engenheiro de monitores. Foi o primeiro show dele. Então, eu tive um show horrível no Staples em Los Angeles. No segundo show, eu batalhei com isso, mas ainda foi muito ruim, e no terceiro show com este cara, eu tive o suficiente e eu chutei muito forte um monitor.

GEARPHORIA: E você pagou o preço.
JOSH: Paguei o preço… Mas isso me fez pensar em outras coisas a partir desse ponto. O som já não era mais o problema e sim o meu pé… Isso mudou as coisas, foi negativo e doloroso, mas fez mudar as coisas. Quer dizer, eu não relaxo muito, eu não desacelero e isso meio que me forçou a descansar.

GEARPHORIA: Eu sei que você fez muitas turnês com os Chili Peppers e outras bandas no passado. Mas se sente diferente quando é a sua banda?
JOSH: Hmm, não muito. Eu estive perto por tanto tempo e eu meio que sei os prós e contras de como as turnês funcionam. E eu estive em várias turnês. É meio que uma sensação de que é apenas a extensão do que eu sempre fiz. Em relação a cada turnê na qual já estive, o meu papel e o tamanho dos locais dos shows ficaram um pouco maiores. Isso meio que parece ser uma progressão natural, de uma maneira estranha… Ser alguém pela qual as pessoas se importam e fazem coisas, é um pouco estranho, e isso é novo.

GEARPHORIA: Quando você foi abordado para fazer parte dos Chili Peppers, parecia que tinha um pouco de receio no início. Obviamente que é um show de alto nível, mas quais foram os seus primeiros pensamentos?
JOSH: Bem, obviamente seria uma oportunidade incrível apenas em fazer parte da banda. Mas, na época eu tinha começado a tentar trabalhar na banda com o Jonathan (Hischke), no Dot Hacker. E eu tive que me perguntar todas as coisas possíveis sobre a adesão. Digo, eu quero que minha vida mude dessa forma? Eu queria entrar em uma situação daquele nível? Será que eu quero entrar em uma situação onde eu vou ser comparado, ou simplesmente mencionado, contrastado com John (Frusciante) onde quer que eu fosse? Esse tipo de coisa. Será que eu quero que os relacionamentos pessoais que eu tinha possivelmente mudassem?
Há um segundo atrás, eu disse que parecia uma progressão natural estar naquele tipo de turnê, mas definitivamente pareceu um grande salto. Tudo de repente, muitas mudanças, me perguntando o que eu ia fazer com a minha própria música ou onde eu ia viver, uma situação envolvendo muito dinheiro, uma agenda muito ocupada e muito exigente. E é ótimo, no final do dia, apenas a oportunidade de tocar música e explorar relações musicais com essas pessoas que eu admirava por tanto tempo. E, no final, com certeza, os prós superam os contras. Mas sim, eu tive que pensar muito sobre isso.

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GEARPHORIA: Então, quais são os planos para o Dot Hacker? Acho que tem sido difícil encontrar tempo para trabalhar nisso recentemente.
JOSH: Sim, na verdade, apenas quando há tempo, estamos todos livres e por perto tentamos trabalhar nisso. Eu tenho o mês de dezembro de folga e acho que os outros caras também. Eu realmente lamento o fato de que não é o principal foco de todos nós neste momento. Apenas estamos escrevendo novas músicas e espero gravar um novo álbum no próximo ano. É uma banda diferente porque eu não sei quantas pessoas se importam com ela. Mas pelo menos vamos nos divertir fazendo isso.

GEARPHORIA: O primeiro álbum do Dot Hacker, Inhibition, saiu em maio. Nós o ouvimos nas últimas semanas e realmente gostamos. Toda hora pensávamos que tínhamos uma faixa favorita, e ele funciona muito bem como uma peça coesa. Mas como foram as sessões de gravação? Você foi capaz de encontrar tempo o suficiente para gravar tudo ou foi fazendo isso aos poucos?
JOSH: Foi meio que gravado aos poucos. Havia sempre uma coisa ou outra. Ou na escrita das músicas, ou quando nós decidimos que iríamos gravar, havia sempre alguma coisa. Alguém ia para longe em turnê com uma banda. E quando a gente começou a gravar Clint (Walsh), o outro guitarrista, teve que sair, tipo oito dias depois que nós começamos. Então, tivemos oito dias e fizemos quase tudo, as sete ou oito primeiras músicas. E então no decorrer dos meses seguintes, gravamos aos poucos. Foi praticamente uma sessão que durou de março daquele ano até outubro, mas não foi um trabalho sólido.

GEARPHORIA: Uma música como a faixa-título tem sonoramente falando, uma espécie de borbulhamento sob a superfície. É consistente em todo o álbum – um monte de coisas acontecendo perifericamente que então se convergem em algo mais poderoso do que a soma de suas partes. Você poderia falar um pouco sobre os instrumentos, a criação da letra e como o som do álbum evoluiu?
JOSH: Bem, essa música em particular é uma daquelas que foram gravadas na primeira sessão apenas com Eric (Gardner), o baterista, e eu e em então Jonathan trabalhou nela mais tarde. Mas sim, nós escrevemos a maior parte (do álbum) juntos. Algumas músicas surgiram de jams. E depois, um monte de coisas que eu já tinha por um tempo. Tudo se juntou quando gravamos, especialmente as letras e os vocais. Nós meio que estávamos escrevendo e ensaiando aos poucos e então, de repente, percebemos que tínhamos que gravar alguma coisa logo, porque Clint estava saindo da cidade. Então sim, um monte de composições surgiram enquanto nós estávamos gravando, o que sempre me incomodou um pouco em relação ao álbum e ainda me incomoda um pouco, mas foi simplesmente este o processo banda. Eu escrevo músicas, melodias e toneladas de letras. Eu as guardo em 15 blocos e cadernos por toda a casa. Tem sido a minha falha, um processo de escrita preguiçoso por um longo tempo. É difícil para mim terminar uma música, se eu não tenho uma banda com a qual tocar. Eu sempre fui capaz de gravar o meu próprio material e tocar tudo, mas isso é algo que não tem sido interessante para mim. Eu meio que só as deixava inacabadas até eu ter a banda com a qual tocar.

GEARPHORIA: Nós sabemos que você curte jogos de palavras. Do que nós podemos compreender de Inhibition, soa como se você estivesse brincando com a linguagem em algumas das letras. Achamos que ouvimos algo em “Order/Disorder”, você diz algo como “wreck or mend you”, nós achamos isso incrível.
JOSH: (risos) Obrigado. Eu acho que foi uma das mensagens escondidas que eu gravei no vinil. Você sabe, como as mensagens escondidas ao lado da etiqueta? Quando o disco de vinil é cortado, quem está fazendo isso consegue um pino um pouco pontiagudo e pode arranhar, tipo um número de catálogo nesse espaço. Assim, você pode escrever o que quiser lá dentro. Eu sei que o Joy Division fez isso o tempo todo. Mas aquele ‘wreck or mend you’ é uma mensagem escondida que eu escrevi em um dos lados do vinil.

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GEARPHORIA: Houve um equipamento, pedal, guitarra ou algo assim, que você descobriu ou confiou para trabalhar em Inhibition?
JOSH: Bem, na música “Inhibition” eu usei um Moog Bass Murf, mas não posso dizer que há uma coisa específica. Eu fiz um monte de tratamentos em vários teclados e guitarras e usei o sintetizador Korg MS-20 e filtros. Acho que na época estava tentando manter o som da minha guitarra o mais limpo possível. Quando nós gravamos, eu usei qualquer efeito na hora, alguns reverbs ou o que seja. Mas Clint geralmente usa muitos efeitos, então eu tentei ficar o mais básico possível. E o Jonathan também usa vários tons diferentes de seus pedais e acrescenta muito com o baixo. Então, eu estive nesse álbum, em relação a guitarra, com o som mais “limpo” que eu pude.

GEARPHORIA: Quando você está comprando equipamentos, você pensa como um colecionador? Você está procurando peças raras e legais? Ou você se importa mais com o som que poderia lhe oferecer?
JOSH: Eu nunca me considerei um colecionador. Eu acho que tenho comprado um monte de coisas ultimamente, sendo meio que um estranho fanático. Como se a cada vez que vejo alguma coisa eu a compro. Eu não sei, não é muito saudável (risos). Recentemente, eu meio que admiti para mim mesmo que eu poderia conseguir guitarras do tipo Fender com todas as cores antigas. Quando eu vejo algo legal com guitarras Fender de cores personalizadas? Mas eu nunca fui muito do tipo colecionador. Eu sempre quis os instrumentos que eu gosto… Eu estou olhando para a minha sala de música agora e eu tenho que dizer, está cheio de porcarias.

GEARPHORIA: Qual é a guitarra mais recente que você comprou?
JOSH: Ah, cara. Tenho comprado muitas coisas ultimamente. Dia desses em Milwaukee, eu comprei uma Gibson Melody Maker. Eu estou segurando-a agora, uma pelham Melody Maker azul. Eu acho que é de 67. Eu comprei recentemente do cara do The Hives esta Gibson ES-295. É uma ótima guitarra dourada de 1958. É realmente incrível. Geordie do Killing Joke usa uma. Eu comprei recentemente uma bateria Trixon – está ficando um pouco louco. Agora eu apenas estou comprando todas as coisas legais que eu gostava quando era criança. Eu sou como “Oh, eu quero um desses.”

GEARPHORIA: Todo mundo sabe que você tem uma amizade profissional e pessoal muito forte com John Frusciante. Que tipo de influência ele teve em você como guitarrista e como músico?
JOSH: Em relação à guitarra, quando eu ouvi Blood Sugar… Eu não era guitarrista. Eu tocava bateria. Eu não sabia nada sobre guitarra. Eu acho que eu comecei a tocar guitarra no tempo em que ele fez seu primeiro álbum solo, Niandra Lades and Usually Just a T-shirt. Isto é composto apenas por gravações feitas em casa em four-track. Foi apenas como gravações muito pessoais que ele não pretendia lançar nunca, eu acho. Mas esse álbum, e apenas o tipo de honestidade que envolve as gravações foi muito influente e orientador para mim.

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GEARPHORIA: Como tem sido assumir o lugar de alguém como ele, alguém que deixou uma marca indiscutível tanto sobre a banda como sobre você pessoalmente?
JOSH: É uma honra, antes de tudo, que eles tenham pensado que seria uma boa ideia  É definitivamente estranho às vezes, se eu parar para pensar sobre isso. Quero dizer, ele é alguém que as pessoas estão realmente conectadas. Houve momentos durante essa turnê em que eu comecei a ficar um pouco preocupado, pois, como eu disse, isso é algo natural e eu já estive antes em várias turnês. Mas no fim ficou parecendo com as turnês anteriores, porque eu acabei tocando as músicas de outra pessoa. Eu meio que comecei a ficar chateado por não tocar as minhas próprias músicas e apenas tocar a música de outra pessoa. Nos Chili Peppers, não tenho me sentido assim ultimamente, eu só tenho me divertido. Há certas canções que eu me importo tanto quanto a outras. É apenas uma viagem louca em que eu já estive. Tipo, eu toco “I Could Have Lied”. Eu tocava isso no meu quarto quando eu estava aprendendo a tocar guitarra, maravilhado com o solo. E então é como, “Oh meu Deus, eu tenho que fazer um solo agora. Espera!” É meio que… É só uma história muito interessante.

GEARPHORIA: Como funciona o trabalho de compor as músicas nos Chili Peppers? Como é que se difere do que acontece, digamos, no Dot Hacker?
JOSH: Obviamente, eles tinham uma relação de trabalho continua de oito a dez anos com três desses caras, musicalmente, para não mencionar Anthony. Mas me juntar à banda, não importa o quanto isso foi um novo começo ou coisa assim, havia parâmetros e familiaridades com esses caras. Tipo, Flea começa a tocar um groove no baixo e John entrava nisso do jeito que ele faz, e todos nós temos ouvido a maneira como ele entra na música. E para eu superar isso… Ainda há momentos em que eu não me sinto totalmente à vontade. É como, “OK, como devo fazer isso? Devo fazer o que eu sinto? Isso soará muito parecido com o John? Devo fazer algo completamente diferente?” Nós ainda estamos passando por essas coisas. Nós tivemos que passar muito tempo com jams. Para este álbum, nos reunimos todos os dias da semana tocando e improvisando, uma vez que a banda voltava de uma pausa de dois anos, Flea tinha acumulado um monte de músicas que ele havia escrito. E já que eu nunca realmente tive a minha própria banda, eu tinha toneladas de canções. Então, eu apenas peguei novamente meu catálogo de músicas e procurei por aquelas que soariam bem na voz do Anthony e então escrevi uma tonelada de novas musicas enquanto estávamos tocando. É realmente fácil para mim escolher as canções se eu não sou aquele que tem que cantar (risos).
Então, Flea chegava com músicas e estruturas de acordes e eu chegava com músicas. Mas Anthony está sempre lá. E nós conseguimos muitas músicas porque nós tivemos que fazê-lo por muito tempo. Nós gravamos 50 músicas para o álbum e tivemos muitas outras quase prontas, mas nós meio que reduzimos a linha dos 50 e lançamos 14, o que eu ainda achava que era muito. Mas havia um monte de músicas que nós todos não queriamos que evaporassem e por isso decidimos coloca-las em um single de 7 polegadas, basicamente, uma por mês. Nós já lançamos quatro deles, e há um total de nove, então mais 17 ou 18 canções. Não existem mais b-sides por isso pensei que seria uma coisa legal para colocar algumas no vinil.

GEARPHORIA: É ótimo saber que depois de todos esses anos a banda ainda é tão produtiva.
JOSH: Sim, o álbum I’m With You parece muito com o Mother’s Milk para mim. Tipo, um álbum com o qual John não se sentiu totalmente confortável, e isso é meio que a mesma coisa para mim. Eu gosto das músicas, mas eu não era um grande fã de trabalhar com Rick Rubin, e a coisa toda era meio que algo novo para mim. Eu estou realmente ansioso para escrever novas músicas e lançar outro álbum assim que pudermos. Eu gosto de ver como os relacionamentos evoluem musicalmente.
E não havia nenhuma maneira de eu recusar estar com os Chili Peppers. Quero dizer, se eu tiver uma oportunidade de formar relações musicais, deixando de lado relações pessoais, com pessoas como Flea e Chad (Smith), que tem um ótimo relacionamento, e Anthony, alguém que eu acho que é completamente original e simplesmente fantástico no que faz. E se eu tivesse a oportunidade de realmente promover essas relações, não há nenhuma maneira que eu poderia dizer não a isso. E no Dot Hacker, essas relações têm crescido muito, e eu acho que você vai ouvir isso nas próximas músicas que serão lançadas.
Quando conversei com John sobre a adesão aos Chili Peppers, a única coisa que ele me disse é que “É uma sensação incrível ir de manhã para ensaios e improvisar algumas músicas com aqueles caras.” E é totalmente verdade. Chegar com alguma coisa e ter a oportunidade, nem todo mundo tem isso. Chegar com alguma coisa que eu acho que vai soar ótimo com o Flea, tocar e, dentro de uma hora, ter uma música que as pessoas vão se interessar em ouvir. Isso é uma coisa rara.

GEARPHORIA: Como você acha que ser um integrante fixo da banda te mudou ou afetou como músico?
JOSH: Eu não sei. Provavelmente me deixou um pouco mais confiante e eu gostaria de dizer que me fez trabalhar mais, mas eu tenho esse problema que eu nunca penso que estou trabalhando duro o suficiente. Eu sei o tipo de guitarrista que eu quero ser, e eu não me sinto lá ainda. Mas está me permitindo ser apenas eu mesmo, e eu acho que é diferente de ser o tipo de pessoa que acha que tem que ser diferente do que é. Eu acho que só de estar nessa banda, e de poder tocar mais, me permitiu ficar mais confortável sendo eu mesmo.

GEARPHORIA: Você ouve ou vê alguma diferença na banda desde que você entrou?
JOSH: Eu acho que sim. Em relação à musica, o álbum parece muito colaborativo para mim. Havia um monte de músicas que eu trouxe. Eu tendo a escrever coisas completas, como “Aqui está esta parte e esta parte e esta parte e elas vão juntas assim e assim. Nós podemos mudar se você quiser, mas por quê?”. É um tipo de problema que eu tenho. Mas um monte de músicas que eu escrevi do início ao fim que se transformaram em músicas dos Chili Peppers estão sendo lançadas agora nesses singles. Então, eu definitivamente afetei a banda e talvez atualizei o som deles. Nós estávamos em turnê tocando um monte de músicas antigas, eu não tenho certeza de onde estamos no desenvolvimento de uma nova identidade.
Mas eu definitivamente acho que… Eu não posso falar especificamente porque eu não sei, mas eu sei que as relações na banda se tornaram muito tensas. E havia muita tensão criativa estranha na banda por um longo tempo. Eu acho que “By the Way” foi muito debilitante. E então, meio que relaxou um pouco para o álbum Stadium Arcadium. Mas eu acho que eu estar lá e John não, oferece um tipo de coisa nova para a banda, uma nova vibe, interpessoal e criativa.

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GEARPHORIA: Olhando algumas fotos do seu pedal board, você parece favorecer algumas marcas. Me pergunto como você está ligado com Kevin Wilson e Wilson Effects.
JOSH: Deixe-me ver se eu lembro… Acho que talvez Chris Warren, que toca um pouco de teclado com a gente no palco – ele foi técnico de bateria do Chad por muitos anos – estava procurando na internet, quando estávamos sempre procurando um pedal wah Ibanez WH-10. Esse é o wah que John usou e é apenas o melhor pedal wah que eu já ouvi. É tão bom, especialmente para esta banda soar como esta banda. Mas eles estavam uma merda, velhos e são de plástico de modo que você pode quebrá-los muito facilmente. Então, fazendo uma pesquisa on-line, Chris encontrou esse cara, Kevin Wilson, que estava fazendo um clone do que chamou The Ten Spot. Então, eu acho que ele enviou um email dizendo que estava trabalhando com os Chili Peppers e seu novo guitarrista e disse que queria experimentar o Ten Spot produzido por ele. E ele era um grande fã, então começamos uma conversa por e-mail. Estou sempre à procura por Tone Benders, como aquele fuzz, o melhor fuzz… E ele faz clones disso. Então ele simplesmente nos mandou um monte de coisas e descobrimos que eles soaram melhor no palco, são duráveis ​​e consistentes. Não parece ter muitos Tone Benders antigos tanto quanto você precisa hoje em dia.

GEARPHORIA: Existem marcas que te agradam muito?
JOSH: Nós temos um monte de pedais Devi Ever. Eu usei um pouco de seu material no álbum, mas eu não o levei em turnê porque eu simplesmente não encontrei um lugar para ele. Mas eu tenho um monte de coisas dele, o que é legal. Estou no meu armário de pedais agora mesmo, procurando… Esta empresa chamada Last Gasp Art Laboratories. É uma empresa japonesa. Eles têm algumas coisas interessantes. Eu uso este pedal deles chamado Cyber ​​Psychic no álbum. Ele tem o que é chamado de Oscillifilter, por isso é um filtro oscilante, e eu recentemente o substituí por um pedal chamado MS-20 Brain Freeze, feito pela Robot Factory. É um clone daquela seção de filtro de sintetizador da qual eu estava falando que usei muito no álbum do Dot Hacker. E esse cara faz este pedal chamado de Pocket Synth, ou algo assim, que eu uso no solo para “Give It Away”.
Como toda noite eu e meu técnico tentamos um diferente som estranho, isso é como LFOs e por isso vai soar como uma oscilação. É uma espécie de mistério do fuzz, quando o solo vem. Já que estou usando apenas um pé, perdi o meu segundo pedal board. Uma das bênçãos disfarçadas desde que quebrei meu pé foi que eu finalmente percebi que meu tom é completamente afetado por quantos pedais o sinal está passando, por isso, quando eu fui forçado a me sentar e ter apenas um pé para operar os pedais, o lado direito do pedal board, que contém a maioria das coisas que eu usaria para uma canção ou coisas que eu precisava, mas não usava muito, tudo isso foi colocado em um sistema de comutação Voodoo Lab, como um sistema de looping. É uma merda que eu nunca tenha feito antes, eu nunca tinha tempo para essas coisas. Mas eu descobri o quanto colocar seu sinal através de todos esses pedais afeta o seu tom.

GEARPHORIA: Então você fez uma pequena redução.
JOSH: Sim, nós perdemos o lado direito do pedal board. Isso agora fica atrás e o Ian (Sheppard) apenas acrescenta essas coisas quando eu preciso delas.

GEARPHORIA: Bem, qual guitarra você diria que é agora a sua predileta?
JOSH: Bem, em turnê eu comecei recentemente a usar uma Fender Strat de 1960 que tem um braço muito fino e também tem um braço sunburst. Fender fez para um NAMM show, seja lá o que você chama de NAMM show em 1960, uma feira onde eles estavam mostrando que, se você quisesse, eles poderiam deixar o braço da guitarra no estilo sunburst. Essa tem sido a minha principal Strat no palco. Eu amo isso. Eu tenho um par legal de Jaguars que eu gosto, você sabe, as cores. Eu tenho um agora na minha mão… Eu gosto muito de Jaguars.

GEARPHORIA: Você acha que o Dot Hacker estará na estrada em breve?
JOSH: Eu acho que sim, espero que no ano que vem. Eu não sei que tipo de base de fãs a banda tem. Eu adoraria ir a uma turnê com eles, eu absolutamente adoraria. Eu só não sei o quão realista seria apenas colocar o pé na estrada. Qualquer coisa que possamos fazer, eu vou fazer. Os Chili Peppers entram de férias em março e nós estamos considerando pelo menos três meses de folga antes de começarmos a escrever de novo, eu acho. E eu espero gastar todo esse tempo com os Dots.

Tradução: Yohanna e Alessandra (joshklinghoffer.org)

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