Please enter your username and email address. Get new password
Register Now
x

Fasterlouder: Entrevista com Josh Klinghoffer

00

325161_256476691093687_150158858392138_592512_1880519852_o

Entrevista originalmente publicada no site www.fasterlouder.com.au

JODY MACGREGOR conversa com Josh Klinghoffer sobre sua banda Dot Hacker e seu trabalho do
dia: em turnê pelo mundo, como o mais novo integrante do Red Hot Chili Peppers.

Josh Klinghoffer tem um currículo insano. Ele tocava guitarra e às vezes bateria, nas
turnês com PJ Harvey, Beck, Butthole Surfers e Gnarls Barkley, e ele apareceu em álbuns
de Warpaint, Perry Farrell, Tricky, Charlotte Hatherley e seu amigo de longa data John
Frusciante. Assim, não foi apenas quando ele chegou para substituir Frusciante no Red Hot
Chili Peppers que muitos fãs de música ouviram o nome dele.

Sua própria banda, a Dot Hacker – que ele formou com amigos da banda de turnê do Gnarls
Barkley e Hella – teve que adequar-se à agenda lotada. Embora eles tenham começado a
tocar juntos em 2008 para seu primeiro álbum, Inhibition, o mesmo só foi lançado nos EUA
no ano passado e está prestes a ser lançado na Austrália agora. É o tipo de bombástico
art-rock que dá a Klinghoffer uma chance de mostrar que ele também pode tocar piano e
deve mais ao Radiohead e ao Muse do que a qualquer uma das bandas do impressionante CV
dele.
Devido ao Red Hot Chili Peppers estarem tendo algum tempo de inatividade após terminarem
sua turnê mundial no início deste ano, incluindo o papel de ser a atração principal no
Big Day Out, Klinghoffer tem um pouco mais de tempo para trabalhar Dot Hacker. Ele está
atualmente em um estúdio de Los Angeles, tentando terminar a gravação de seu segundo
álbum antes que ele saía em turnê novamente.

Falta quanto tempo para o segundo álbum?
Há 15 músicas gravadas, musicalmente, e eu fiz os vocais em duas delas. Hoje estou trabalhando na terceira. A forma como esta banda trabalha, apenas por causa da agenda, a
bênção e a maldição desta banda é que por vezes, nós trabalhamos muito rapidamente e as
coisas chegam juntas, nós as gravamos, mas em seguida, eu tento não terminar a música
inteiramente de modo que todos tenham um lugar próprio na mesma e tento não tomar muitas
decisões sobre acordes ou instrumentos. Eu também realmente não termino os vocais até
chegarmos a gravação, que é em parte devido a ter tantas outras coisas acontecendo e
tanta música que eu estou trabalhando. A preguiça faz parte também. Agora que já temos 15
músicas gravadas é hora de fazer os vocais e finalizar as letras – ter a canção escrita.
Que é difícil às vezes porque quando uma música é nova algumas das letras parecem que não
estão entregues de forma completamente confiante. Eu não sei, é uma situação infernal
para eu estar [risos]. É como nós fizemos o primeiro álbum, e quando eu ouço o primeiro
álbum e ouço as letras e o canto. Eu estou tentando passar por isso agora e me
familiarizar mais com as canções.

Agenda apertada deve ser um pesadelo, não ter tempo para isso quando você também está no
Red Hot Chili Peppers e os outros caras da sua banda tem outras coisas também. Como você
faz isso? Como é que você reserva semanas inteiras para se concentrar em uma coisa?
Sobre estar no Red Hot Chili Peppers é que eu fico mais longe, mas eu também tenho a
agenda planejada com antecedência. Eu sei exatamente onde e por quanto tempo eu vou ficar
para que então eu possa dizer para os outros caras, “Eu estou aqui desta data até esta
data e eu quero passar cada segundo desse período trabalhando em nossas músicas e nesta
banda, por isso espero que vocês possam fazer o possível para terem certeza que estarão
disponíveis.” Isso geralmente funciona, mesmo se alguém tem que sair por um dia ou um fim
de semana, fazer alguns shows ou qualquer outra coisa que tem que fazer. Nós fomos
capazes de gastar um pouco de tempo este ano trabalhando em coisas assim que é o que nos
trouxe até onde estamos agora: 15 músicas em um álbum, e espero que se eu conseguir os
vocais e os sons bons, vou ter ele pronto até o final deste ano. Embora o primeiro álbum
foi gravado em 2009, e só foi lançado por aqui no ano passado. Eu acho que na Austrália,
vai ser lançado este ano. Se eu conseguir um novo álbum este ano ele vai colocar o Dot
Hacker no patamar de “um álbum por ano”, o que eu admiro.

Você vai parecer superprodutivo.
Depois de fazer o álbum dos Red Hot Chili Peppers e da turnê que se seguiu, isso não me
permitiu fazer nada além de escrever canções e tocar música. Esse é o maior presente que
eu poderia pedir.

Você esteve aqui com os Chili Peppers para o Big Day Out no início deste ano. Essas
turnês para grandes festivais, eu imagino que elas são bastante animadas. Será que você
teve muita chance para relaxar enquanto esteve aqui?
Essa viagem foi em direção ao fim da nossa turnê, então estávamos todos procurando
descansar e desfrutar da Austrália o quanto podíamos. Eu estive lá várias vezes e houve
um tempo livre em que eu pude ir até a casa do Flea localizada a algumas horas do sul de
Sydney. Eu pude passar um tempo na praia, onde Flea teve uma casa há muitos anos e
realmente relaxar e desfrutar da Austrália longe de uma cidade grande, o que eu nunca
pude realmente fazer. Nessa viagem, para o Big Day Out, nós definitivamente tivemos algum
tempo para relaxar. Depois fomos para a África do Sul, o que foi incrível. A banda nunca
tinha estado lá, fato que aconteceu muito nesta turnê. Fomos a lugares onde os Chili
Peppers nunca tinham tocado antes.

O que você gosta de fazer quando visita um país pela primeira vez?
A parte mais triste da turnê foi em um período especifico – que chamamos de ‘leg’ da
turnê, mas isso fica confuso porque eu falo sobre o meu pé quebrado – nós fomos a lugares
que eu nunca tinha ido antes como a Roménia, Bulgária, Israel e Turquia e Líbano. Todo
esse período de três semanas eu fiquei de cama com um pé quebrado, com uma bota. Por
outro lado eu consegui descansar bastante e assistir TV e filmes. Se há alguma coisa
turística que eu queira ver eu definitivamente faço isso. Eu tenho esse luxo. Eu vejo os
coitados do Anthony e do Flea tentando ir para alguns desses lugares e é impossível para
eles, mas eu tenho o luxo de viajar nesta situação incrível com essas pessoas incríveis e
posso meio que fugir e ir olhar o que eu quiser em torno da cidade sem ser reconhecido, o
que é incrível. Eu sempre fiz isso em qualquer outra turnê na qual já estive.

Você se lembra bem daqueles shows na Austrália? Quais deles você gostou mais?
Eu gostei de todos eles, exceto pelo fato de que eu tive um momento muito difícil em
Adelaide por determinado motivo. Acho que foi depois de ter esse tempo livre, acho que
nós tivemos quatro dias de folga, fomos até a casa do Flea e nós corremos, jogamos
basquete, nadamos e eu acho que eu estava exausto, foi difícil voltar ao ritmo normal
depois de estar em um lugar tão bonito. Mas eu acho que, como de costume, o show foi bom
mas eu estava mentalmente em outro lugar. Lembro que aquele show foi realmente difícil
para mim. Perth e Melbourne foram muito mágicos, eu pensei. Nossos bons amigos Off!
também estavam no Big Day Out, eu tive muito tempo para sair com um dos meus melhores
amigos, Steve McDonald, que toca baixo no Off! e ele está na banda Redd Kross.

Você chegou a ver muitos dos outros shows no Big Day Out?
Não, eu não consegui ver muitas coisas para ser honesto. Fazia muito calor e as vezes eu
optei em ficar longe do sol, enquanto eu podia. Eu sou amigo de Zach Hill, o baterista do
Death Grips, eu tinha que ver eles. Isso foi divertido. Eu cheguei a ver o Off!
Obviamente, eu tive que ver o Yeah Yeah Yeahs, que eu gostei muito. E isso é praticamente
tudo o que eu consigo me lembrar. Lembro-me de ter ouvido o The Killers tocar a música do
Crowded House ‘Don’t Dream It’s Over’ que eu havia tocado em Auckland alguns dias antes.

Você tem um limite de tempo para terminar este álbum do Dot Hacker antes de ter que
voltar a fazer outras coisas? Você tem que trabalhar em um novo álbum dos Red Hot Chili
Peppers em algum momento?
Sim, definitivamente. Não há um limite de tempo específico, mas auto imposto. Eu gosto de
pensar que vou tê-lo concluído o mais tardar até o final de setembro, principalmente para
que eu possa ir tocar mais alguns shows com eles este ano antes dos Red Hot Chili Peppers
começarem a trabalhar novamente. Eu estou realmente ansioso para voltar a trabalhar com
os Red Hot Chili Peppers, mas do jeito que as coisas vem acontecendo esse ano,
principalmente com o Flea tocando com Thom Yorke, não parece que vamos começar qualquer
trabalho sério até o fim do ano, como talvez dezembro. O que me dá a suspeita de que não
vamos realmente começar algo até o início do novo ano.

Os Red Hot Chili Peppers estão indo para a América do Sul fazer alguns shows em novembro
e eu acho que nós temos um show em setembro, um pouco antes do Flea fazer a turnê nos
Estados Unidos com o Atoms For Peace. Portanto, há algumas coisas dos Chili Peppers na
agenda. Em algumas semanas farei alguns shows no Alasca com os Red Hot Chili Peppers e
num festival em San Francisco. É ótimo porque a banda nunca fica totalmente fora de
forma. Podemos manter-nos conectados musicalmente. Principalmente com o Flea se dedicando
muito em outros projetos este ano, eu possa terminar este álbum do Dot Hacker com um
pouco de facilidade, embora o tempo esteja se esgotando.

Uma última coisa que eu gostaria de te perguntar sobre os Red Hot Chili Peppers é como foi
entrar no lugar de John Frusciante – você se sentiu como o cara novo por muito tempo?
Eu acho que, obviamente, eu me senti como o cara novo mas também pelo fato de ser 19 anos
mais jovem do que esses caras – ou algo assim – me faria sentir assim de qualquer
maneira. No outro lado eu não me senti 100% novo, quando chegou a ser o mundo deles e a
coisa deles. Eu estive em turnê com todos eles por volta de 2007 como o cara de backup
com o John e eu estive em bandas que abriram para os Red Hot Chili Peppers desde ’99 ou
2000. Eu estive em duas outras bandas que abriram para os Red Hot Chili Peppers então eu
já estava na família, sendo bons amigos dos caras e amigo de todos na equipe, eu estou no
mundo dos Chili Peppers durante muito tempo, agora eu estou preenchendo um novo papel
como guitarrista e compositor, tomando decisões, não necessariamente me senti como o cara
novo. Isso também tem a ver com esses caras sendo realmente incrivelmente acolhedores
comigo. Eles nunca fizeram nada para me fazer sentir como o cara novo. Eles realmente me
procuraram para acrescentar algo ao que eles já tinham e fazendo com que eu me sentisse
confortável com isso.

Obviamente eles já fizeram isso antes, você sabe, John se juntou à banda depois, ele não
era da formação original. Eles tiveram vários integrantes, como Dave Navarro, e eles
também sabem que eu sou amigo do John, passei muito tempo trabalhando com ele. Eles
estavam bastante conscientes do que eu poderia fazer ao assumir este papel. Eles
realmente fizeram um trabalho incrível em fazer eu me sentir bem-vindo e confortável.
Sempre foi discutido que eu era um integrante “normal”, mas eles realmente fizeram eu
sentir como se fosse o começo para todos.

No que se refere a substituir o John, eu não acho que alguém possa ocupar o lugar de
outro alguém, você nunca substitui uma outra pessoa em termos de empreendimentos
criativos, arte, composição, ou o que seja. Eu só espero trazer algo tão genuíno como o
que ele trouxe para a banda. John é uma das mais surpreendentes, belas e criativas
pessoas que eu já tive o prazer de testemunhar o trabalho, então eu só posso esperar ter
algo próximo a isso.

Demorou um tempo para você se acostumar a ser o frontman no palco com o Dot Hacker?
Fazendo isso depois de estar em bandas, mas não sendo o foco das atenções?
Sim, demorou. Talvez algumas pessoas podem ser algo parecido com que eu me lembro quando
toquei ao vivo pela primeira vez, aquele momento em que é apenas nervosismo, e uma
sensação física como, “Oh meu Deus, isso é loucura.” Então você faz isso algumas vezes,
começa a se sentir confortável, e isso vai embora. Você olha para si mesmo com uma
perspectiva diferente e fica confortável com isso. Cantando, sendo o compositor e o foco
com o Dot Hacker, cada vez que íamos fazer um show, eu ia embora e não fazia isso de novo
por três meses, quatro meses, por isso era sempre difícil para mim encontrar uma sensação
de conforto. Mas eu acho que agora, depois de ter feito uma turnê tão extensa com os
Chili Peppers na qual tocamos todas as noites, o álbum Dot Hacker foi lançado, as músicas
estão disponíveis para o mundo. Nós acabamos de fazer nossa primeira turnê abrindo os
shows da nova banda de Cedric Bixler. Essa foi uma grande experiência, porque eu tenho que
ser o cantor na minha banda todas as noites, e não apenas uma vez. Para responder à sua
pergunta, levou um tempo, mas eu acho que como com todas as coisas, você precisa fazer
isso algumas vezes para que entre em seu nível de conforto.

Você tem planos de trazer o Dot Hacker para a Austrália?
Eu adoraria. Eu recebi alguns e-mails sobre o lançamento do álbum lá que insinuaram que
poderíamos ir, o que foi novidade para mim quando eu ouvi pela primeira vez. Eu acho que
há uma conversa de levar a banda para lá em dezembro, talvez? O que seria absolutamente
incrível.

Tradução: Eye Opener

0 thoughts on “Fasterlouder: Entrevista com Josh Klinghoffer”

Leave a Reply