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Entrevista para a Ultimate-Guitar.Com (02.09.11)

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Cinco anos se passaram desde que o Red Hot Chili Peppers lançaram o Stadium Arcadium, o 9º álbum da banda e que contém múltiplos hits como “Desecration Smile”, “Dani California”, “Hump de Bump”, “Tell Me Baby” e “Snow (Hey Oh)”. O álbum estreou no primeiro lugar do top 200 da Billboard, e ganhou 4 prêmios Grammy na cerimônia de 2007. Foi um álbum monstro, e quando John Frusciante anunciou que estava deixando a banda durante o hiato de 2 anos, o trio começou um programa de reconstrução.

Red Hot Chili Peppers: 'Our Next Effort Will Be Pretty Beautiful'Eles trouxeram um amigo de longa data, Josh Klinghoffer, um guitarrista que já havia tocado com Frusciante em uma banda chamada Ataxia. Ele tocou pela primeira vez com a banda em 2007, quando ele participou como guitarrista de apoio nas datas finais da turnê Stadium Arcadium.
Em 2009, o quarteto revisado entrou no estúdio com o produtor Rick Rubin e começaram a trabalhar no que viria a ser o “I’m With You”. Variando entre canções no piano como “Happiness Loves Company”, e grooves africanos como em “Ethiopia”, o álbum está cheio de guitarras de Klinghoffer – tanto elétrica quanto acústica – e os ritmos funk que são marcas registradas de Flea e Chad Smith.

O Red Hot Chili Peppers convocou a imprensa em um hotel na praia de Santa Monica para um dia de entrevistas. Anthony Kiedis e Josh Klinghoffer foram escolhidos especialmente para a Ultimate Guitar, e apesar do pouco tempo, a conversa a seguir revela muita coisa sobre o vocalista e o guitarrista.
Stadium Arcadium foi um grande álbum para a banda, e depois John Frusciante meio que saiu da banda. O que você estava pensando?
Anthony: Bem, não é que ele “meio” que saiu, foi uma saída definitiva. Acho que depende de pra quem você pergunta sobre qual seria o próximo passo. Pra mim parecia uma mudança apropriada, como que fosse a única coisa que poderia acontecer. Acho que não poderíamos continuar com John. E acho que todos nós sabíamos disso em nossos corações, e eu parabenizo ele por ter tomado essa atitude. Nunca passou pela minha cabeça outra coisa, a não ser continuar, mas acho que Flea e Chad provavelmente tinham seus próprios pensamentos e emoções sobre isso.
A pausa foi um passo positivo?
Anthony: Eu adorei que tiramos esses 2 anos para fazer nada, só sermos pessoas fora do Red Hot Chili Peppers, e quando voltamos e nos juntamos ao Josh, era hora de seguir em frente, tudo estava certo e reenergizado.
Você tem uma longa história com a banda. Você sentiu que teria que levantar a bandeira do Red

Hot Chili Peppers?
JOSH: Sem querer parecer banal, eram só amigos tocando música. Se eu pensar no que outras pessoas vão pensar, e nessa bandeira que você disse… Então com certeza eu poderia pensar nisso e em tudo que os outros pensam, e eu não deveria pensar nisso.
Anthony: Aliás, onde está essa bandeira?
JOSH: Eu não sei.
Anthony: Está no porta-malas de um Ryder em algum lugar.
JOSH: Acho que foi uma situação nova para todos.
Quais foram às sessões iniciais para o “I’m With You”?
JOSH: Bem, Flea notou quando estávamos gravando, que eu já estava na banda há quase 1 ano e ainda não tinha tocado nenhuma música dos Chili Peppers. A partir daí começamos a tocar. Foi exatamente assim: ligar os equipamentos e começar a tocar.
Nós conversamos na época do Californication, e John Frusciante descreveu a sua abordagem nas letras como “lidar com cores”. Isso ainda é válido para o “I’m With You”?
Anthony: Sim, acho que ele provavelmente encontrou um jeito de explicar que eu escrevo mais por intuição e sentimentos do que por uma educação e conhecimento específico de música, de como a música funciona num nível matemático ou algo assim. É mais de ouvido, ondas de cores e inspiração, que só Deus sabe de onde vem.
Todas as suas melodias surgem internamente? Você toca algum instrumento?
Anthony: Não. Acho que toco três acordes bons na guitarra. Sim, eles aparecem, não sei se é interno ou externo, mas só de ouvir. E claro que inspirado pelas texturas, acordes e interações entre Josh, Flea e Chad. Sempre tem uma sugestão de melodia no ar, baseada nos acordes e as vezes elas aparecem à cappella. Sei quando elas estão boas para músicas, porque elas parecem especiais no meu coração. Quando escuto uma melodia e ela mexe comigo emocionalmente, é tipo: “Ok, essa é a melodia para essa música”. A mesma coisa acontece com as letras, elas chegam voando de onde quer que seja, e algumas vezes é mais fácil do que outras. Mas, sim, sou definitivamente o músico inculto da banda.
JOSH: É um verdadeiro privilégio ver o que Anthony faz , apenas observar a melodia surgindo, é incrível. Nunca trabalhei com um cantor e letrista tão dedicado, é maravilhoso observar o processo todo acontecendo. Sou um cara que faz essas coisas do meu jeito, e ver acontecer de um jeito tão cuidadoso e meticuloso é maravilhoso. Isso me inspira.
Numa canção como “Annie Wants a Baby”, você desvia um pouco dos vocais do AK com uma linha ótima de guitarra em contra ponto. Você estava inspirado pelas melodias do Anthony, e pelo jeito que escrevia as músicas?
JOSH: Sim, acho que nos informamos mutuamente. Em muitas músicas, elas nasceram ou de jams ou de estruturas de acordes pré-existentes. Encontrar um lugar para colocar todas essas coisas em torno de melodias e vocais foi um desafio/privilégio.
Há muito espaço para você como um guitarrista para mostrar suas ideias e experimentos?
JOSH: A comparação com John que andei lendo, é por eu ser mais textural do que ele. Pra mim, com Flea e Chad mantendo tanto peso, eu não vejo como você pode tocar do jeito que toco, e não vejo como você não pode tocar como John toca. Tem muito espaço para ser você mesmo, que eu acho que é o que essa banda se trata. Para Anthony e todos nós, cada um faz o que eles fazem pessoalmente.

“Brendan’s Death Song” foi uma das primeiras músicas escritas para o álbum. Quando você escreveu essa música, foi como um ponto de partida para as outras canções?
Anthony: Não. Um dos benefícios de estar no Red Hot Chili Peppers é que não tem regras sobre o que você pode tocar. Tocamos qualquer coisa, de blues ao punk rock, com alguma inspiração de jazz ou música africana ou qualquer coisa. É como: “Oh, isso não se encaixa – tudo se encaixa”. Tudo que tocamos pertence à banda, não é porque a harmonia de “Brendan’s Death Song” veio antes, que pensamos: “Oh, essa é nossa direção”. Isso só vai ser um dos muitos, muitos, muitos sabores que encontraremos ao longo dos anos. Estamos felizes com esse, foi muito verdadeiro e mantivemos isso. “Devemos retomar esse pedaço e terminar isso algum dia”. Mas sim, a próxima música que tocamos poderia ter sido completamente eletrônica, ou com algum compasso estranho.
Os fãs do Red Hot Chili Peppers são bem leais e seguem vocês em qualquer lugar. Para muitas bandas, é difícil cultivar isso.
Anthony: Isso pode ser parte do motivo pelo qual nós temos sucesso por tanto tempo, não estamos tentando nos repetir, ou nos prendermos com o que fizemos no passado ou com o que achamos que deveríamos ser. Nós devemos ser o que o momento pedir.
JOSH: E como alguém que cresceu com essa banda, e sem soar negativo sobre bandas, mas você pode ser fã dessas pessoas fora à música. Anthony, Flea, Chad, John e Hillel, qualquer pessoa dessa banda, você pode ser fã como pessoa, tanto quanto você os conhece ou acha que conhece. Acho que, como novo membro, é por isso que as pessoas vão lá. Quer dizer, eles gostam dessas pessoas, e não é necessariamente só pelos hits. Você pode confiar no que eles vão fazer para você ou para sua vida.
Certamente, várias bandas que perdem o guitarrista não conseguem sobreviver à essa mudança.
Anthony: Todo mundo contribui igualmente, então quando perdemos alguém tão importante quanto John, que é uma força criativa do universo, não foi tão ruim porque ainda havia outras 3 pessoas que também são forças criativas, que estão contribuindo igualmente desde o primeiro dia. Não é como se somente um indivíduo fosse responsável pelas letras ou por carregar todo o peso da banda. Nós dividimos isso.
“Hapiness Loves Company” foi uma das músicas que teve o piano como base, que é um elemento bem único para banda.
Anthony: Eu acho que foi composta no piano.
JOSH: Com certeza.
Anthony: Sim, tenho quase certeza que ela nasceu durante o período de Flea na USC. Ele entrou na faculdade para aprimorar sua técnica no piano e seu conhecimento em teoria da música, aprender sobre alguns dos músicos clássicos de centenas de anos atrás que descobriram boas maneiras de escrever músicas. Sim, ela nasceu no piano.
E seus vocais assumiram características diferentes, onde eles nem soam como Anthony Kiedis.
Anthony: Tem vários tons diferentes nessa música, tem 3 ou 4 vocais distintos, mas todos eles parecem comigo, eu acho. Gosto que o Frank Zappa recebe uma menção na letra.
É mesmo?
Anthony: Bem, “The mothers of invention are the Best”. John vai fundo em Frank Zappa.
JOSH: Sério?
Anthony: É estranho, né?
JOSH: Eu não teria pensado nisso.
Anthony: Sim, eu não teria pensado nisso.
Só temos mais alguns minutos – Você pode falar sobre suas guitarras e amplificadores?
JOSH: Eu usei esse Radial que envia um sinal para sete amplificadores diferentes ao mesmo tempo, que são: Gibson Falcon, Fender Super Six, Fender Super Reverb, e o amplificador para a guitarra é sempre um Marshall Major com um gabinete 4×13 Celestion. Usamos um Orange e um Ampeg. Sempre tem 7 amplificadores sendo gravados ao mesmo tempo, mas para a guitarra é sempre um Marshall Major.
Guitarras?
JOSH: Uma Fender Custom Telly de 67, e uma Strat de 1962 do Chad Smith, para 90% das coisas.
No final do dia, o Red Hot Chili Peppers tem um novo guitarrista e um novo álbum. Como é tudo isso para você? O “I’m With You” é o álbum que você estava ouvindo na sua cabeça no último ano?
JOSH: Eu amo esse álbum. Tenho escutado ele por 2 anos. Outro dia eu estava indo para um ensaio no Forum (lar dos Lakers), porque estávamos fazendo ensaios de produção com um novo palco e luzes, e eu estava na minha moto que tem um CD player. Eu estava ouvindo nosso álbum, e sabia que nosso empresário estava no carro logo atrás: “Quem é esse ouvindo o novo álbum do Chili Peppers?”. E quando cheguei ao ensaio, eu fui pego. Mas sim, tenho muito orgulho dele. E definitivamente ele supera qualquer, e não sou um cara de expectativas, nível de qualidade, ele ultrapassou. E acho que o nosso melhor ainda está por vir. Acho que nosso próximo trabalho será muito bonito.

Interview by Steven Rosen
Ultimate-Guitar.Com © 2011

Tradução: RHCP Brasil
Fonte

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