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Entrevista com Anthony e Josh na revista japonesa “Rockin’on”

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Entrevista com Anthony Kiedis e Josh Klinghoffer
(Quando entrei na sala, Anthony tinha ido ao banheiro e Josh estava sentado no sofá).
Rockin’on Magazine: Então, posso começar a entrevista?
JOSH: Sim, claro.
Rockin’on: Você teve dificuldades ao se juntar ao RHCP para a gravação de um álbum pela primeira vez?
JOSH: Não, de jeito nenhum. Mas você está me perguntando se a gravação foi difícil, ou se ser um membro do RHCP é difícil?
Rockin’on: Bem, as duas coisas.
JOSH: Então a resposta é que ainda não. Os membros da banda já eram meus amigos, e eu conheço eles há muito tempo. E gosto da música deles há um bom tempo também. Não foi difícil ser um integrante da banda.
Rockin’on: Mas se você se tornasse um novo integrante do Led Zeppelin, você não se mataria?
JOSH: Provavelmente sim. Mas no momento, ainda estou vivo..(risos).
(Anthony voltou do banheiro)
Anthony: É um prazer conhecê-lo.
Rockin’on: É um prazer conhecê-lo também.
Anthony: Vou pegar um café, então vocês podem continuar a entrevista.
Rockin’on: Ok, então Josh..Não teve nenhuma dificuldade no começo, em qualquer aspecto?
JOSH: A única dificuldade foi que tínhamos que escolher 14 músicas, de todas as que fizemos.
(Anthony volta com o café)
Anthony: Sobre o que vocês estão falando?
JOSH: Ele está dizendo que eu me mataria se eu fosse o novo guitarrista do Led Zeppelin.
Anthony: Oh, isso é um bom começo de entrevista.
Rockin’on: Bom, vamos começar de verdade agora. Eu, como repórter, tive a oportunidade de ouvir o novo álbum, “I´m With You”. É o 10º álbum da carreira, mas na minha opinião, tem mais novos elementos e desafios do que nunca. Então, o que vocês acham do álbum?
Anthony: Realmente é o nosso 10º álbum, embora tenha descoberto isso há segundos atrás.
JOSH: Você não sabia?
Anthony: Não, e você?
JOSH: Sim, claro.
Anthony: Nunca soube disso. Fazer um novo álbum é sempre um desafio para nós, mas é o tipo de desafio que todos os músicos gostariam de ter. Na minha opinião, esse tipo de desafio é mais excitante e arriscado quando você não faz sozinho, quando você faz com outros. Você não tem idéia do que vai acontecer, mas o que eu mais amo é que tenho amigos com quem posso criar músicas. Sempre tem alguém do seu lado,, então você não precisa sentir o peso do desafio. Neste caso, sou muito sortudo por ter esses caras. E também temos sorte em ter esse novo guitarrista, Josh. Ele está trazendo muitas coisas novas para nós, e sua presença na banda é a razão para continuarmos fazendo música e enfrentando desafios. Sempre achei que seria fácil e excitante fazer músicas com ele. E fizemos um ótimo álbum com ele, que ficou muito melhor do que eu esperava. Espero que isso responda sua pergunta.
Rockin’on: Sim, responde. Obrigado.
Anthony: Eu amo tanto esse novo álbum. Honestamente, eu amo. Ele soa ótimo do começo ao fim.
Rockin’on: Eu concordo com isso. Eu acho que no começo do processo de criação desse álbum, o fato de que o John saiu da banda não saiu muito facilmente da sua cabeça. Quando e como você parou de pensar nisso?
Anthony: Primeiramente, gostaria de dizer que foi um momento muito bonito quando ele saiu da banda. Não somente para ele, mas para todos. É raro quando todos de uma banda ficam felizes com a perda de um excelente guitarrista. Acho que a decisão (de sair da banda) deixou ele feliz, e isso me deixa ainda mais feliz. Ele foi muito corajoso em fazer isso, e nós, como uma banda, tínhamos que encontrar um novo começo. Sabe, eu realmente agradeço à ele. Sempre vou me lembrar que juntos criamos ótimas músicas. Contudo, acho que foi um ponto final do RHCP com John Frusciante. E foi um final feliz. Você sabe, nada dura para sempre, e nem o RHCP.
Rockin’on: Sim.
Anthony: Quando John saiu da banda, ele disse que queria falar comigo e foi até minha casa. Conversamos na entrada, onde o sol estava brilhando. Ele explicou que queria sair da banda e fazer sua própria música. E então, eu, com respeito e amor, concordei com sua decisão. Eu disse: “Isso é bom pra você. Boa sorte, cara. Vou continuar com a banda”. E foi bom para nós dois. Além disso, eu, Chad e Flea tínhamos um cara com quem queríamos fazer música. Era Josh Klinghoffer. Josh é amigo do John há um bom tempo, e já foi seu parceiro musical. Essa série de mudanças tinha uma estranha relação. Era o destino. Coisas assim as vezes causam problemas, mas deu tudo muito certo.
Rockin’on: Josh, já te perguntei isso antes, mas você disse que não teve pressão em ser o novo guitarrista e substituir John. Como você se preparou para ser o novo guitarrista do RHCP? E de que jeito você pensou que poderia contribuir com a banda?
JOSH: Bem…eu não tive que reiniciar minha mente, ou algo assim. Simplesmente comecei a tocar guitarra mais do que nunca. Tenho ensaiado bastante para a turnê. Antes de entrar na banda, 1 ano e meio atrás, não estava me focando em tocar. Porque eu só tocava como músico de apoio. No momento, acho que ainda não atingi o nível que eu decidi que queria, há alguns anos atrás. (risos).
Rockin’on: Anthony, você se sentiu pressionado em ter que fazer um álbum sem o John?
Anthony: Só um pouco, realmente senti uma pressão. Mas quando comecei a tocar com o Josh, isso acabou. Quando entrei na sala e começamos a fazer uma jam, eu senti que estávamos fazendo a coisa certa. Assim como Josh, (que não estava focado em tocar guitarra antes), eu também não estava focado em cantar por um bom tempo, levou um tempo para voltar ao normal. Sabe, a voz é um instrumento estranho, depende muito de como você está se sentindo, do ambiente, saúde e etc. Então tentei ficar o mais saudável possível. Flea sempre dizia para mim antes de o Josh entrar, “eu acho que ainda podemos fazer muitas coisas como uma banda, mas não quero fazer pela metade. Se você quiser continuar com a banda, você tem que fazer do jeito RHCP, o melhor e mais poderoso jeito”. E eu sempre respondi “claro, será assim”. Mesmo não tendo 100% de certeza se o novo Peppers seria melhor do que no passado, eu tinha certeza que seria bom. Sempre renascemos das cinzas. Quer dizer, sempre podemos fazer um avanço, as vezes é bom começar uma banda do zero assim.
Rockin’on: O primeiro show com o Josh foi no MusiCares em 2010. Mas quando exatamente vocês começaram a tocar para o novo álbum? O processo foi diferente do que antes?
JOSH: Foi no dia 12 de outubro de 2010 que começamos. Até onde sei, não foi diferente do que antes, exceto pelo fato de que eu estava na banda. Mas esses 3 caras mudaram muito comparado ao último álbum, na minha opinião.
Anthony: Exatamente, nós 3 mudamos muito e temos vidas diferentes do que antes. Felizmente, Chad e Flea são músicos bem receptivos e sempre estão dispostos a tocar com um cara novo. Teve uma vez que entrei na sala, e Josh e Chad já estavam tocando. Chad ama fazer isso com Josh. Ele diz “wow, agora tenho alguém com quem tocar na minha vizinhança”. A coisa mais legal é que tudo ocorreu muito bem desde o começo, quando recebemos Josh como o novo integrante, até o processo de gravação. A propósito, levamos um ano só para escrever as músicas. Poderíamos ter terminado em 6 meses, já que já tínhamos muitas músicas escritas naquele momento, que eram suficientes para 2 álbuns. Mas decidimos escrever músicas por 1 ano. Eventualmente, como você pode imaginar, muitas músicas escritas no final entraram no álbum.
Rockin’on: Mas Brendan´s Death Song foi escrita no começo do processo, não foi? É o Brendan mesmo no titulo dessa música?
JOSH: A resposta é sim para as duas perguntas. Foi uma das primeiras que tocamos. Duas semanas antes de o Brendan morrer, ele me mandou um email dizendo “parabéns, você entrar na banda vai ser uma das melhores coisas do RHCP”. E naquele dia, enquanto estava tocando com os Peppers, ele morreu. A maior parte dessa música foi escrita nesse dia.
Anthony: Agradeço à Deus por fazer essa música. Pudemos colocar algo nesse álbum para homenagear Brendan.
Rockin’on: O que me surpreendeu nesse álbum foi, por exemplo, o ritmo disco, estilo africano, o uso de piano e etc. São coisas novas para a banda. Como vocês tiveram a idéia de todas essas coisas?
JOSH: São coisas que já gostávamos antes. Surgiram naturalmente, são 4 músicos juntos que amam a música há muito tempo, e simplesmente tocam qualquer instrumento.
Anthony: Falando sobre ritmo disco, as vezes eu gosto disso. Mas alguns são terríveis. Quando misturamos com rock, fica lindo, assim como fizemos com a música do álbum, Dance Dance Dance. Mas não é a primeira vez que colocamos disco em uma música. Antes, fizemos Righ On Time, que é um mix de disco, punk e rock. Quer dizer, sempre colocamos disco nas nossas músicas de várias formas.
Rockin’on: Enquanto ou ouvia as músicas do novo álbum, percebi que as letras estão mais profundas. O seu modo de ver o mundo mudou, ou algo assim?
Anthony: Sabe, dou o meu melhor para escrever a letra de uma música. Eu nunca analiso minhas próprias letras. Meu filho de 3 anos sempre pede para contar uma história. E ficar contando histórias para ele tem sido um bom exercício para compor para mim. (risos)
Rockin’on: Inacreditável, você vai fazer 50 anos no ano que vem, Anthony.
Anthony: Vou fazer 49 no ano que vem.
Rockin’on: hahaha, não.
Anthony: Sim, tenho 48 no momento.
Rockin’on: Vocês passaram por muitas coisas. Continuar com o RHCP mudou sua vida? Por exemplo, comparado ao último álbum?
Anthony: Não, de jeito nenhum. Como Josh disse, você fica satisfeito em estar em uma banda que tem caras com quem você pode dividir experiências, fazer música e ser uma banda. Isso é muito verdadeiro. É o verdadeiro propósito de ter uma banda. Tem muitas outras coisas, mas essa é a mais importante para mim. Começamos em 1983 porque gostamos um do outro, amamos música, e queríamos tocar juntos. Simples assim. Fazer música com alguém que é importante para você, é uma coisa maravilhosa. Porque com amor pela vida, pela arte, e pelos seus amigos, você cria algo lindo. É praticamente a razão pela qual começamos a banda, e continuamos fazendo. Outras coisas são ótimas também, claro. Compartilhar sua música com o mundo, fazer shows, ganhar dinheiro fazendo o que gosta, deixar as pessoas felizes ou infelizes as vezes, aprender com os erros. Todas essas coisas fazem parte de uma banda e é muito excitante. A razão por eu estar aqui sendo entrevistado como vocalista do RHCP não mudou, desde 1983.

Tradução: RHCP Brasil

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